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Una década para recordar
Poesías por Rafael Gallardo - Me sobra corazón

Sobra-me coração

Miguel Hernández

Hoje estou sem saber eu não sê como,
hoje estou para penas somente,
hoje não tenho amizade,
hoje só tenho ânsias
de arrancar-me de cuajo o coração
e pôr embaixo de um sapato.

Hoje reverdece aquela espinha seca,
hoje é dia de prantos de meu reino,
hoje descarrega em meu peito o desalento
chumbo desalentado.

Não posso com minha estrela.
E procuro-me a morte pelas mãos
olhando com cariño as navajas,
e lembrança aquele machado parceiro,
e penso nos mais altos campanarios
para um salto mortal serenamente.

Se não fosse por que?... não sê por que,
meu coração escreveria uma postrera carta,
uma carta que levo ali metida,
faria um tintero de meu coração,
uma fonte de sílabas, de adioses e relatos,
e aí ficas, ao mundo dizer-lhe-ia.

Eu nasci em má lua.
Tenho a pena de uma sozinha pena
que vale mais que toda a alegria.

Um amor deixou-me com os braços caídos
e não posso os tender para mais.
Não veis minha boca que desengañada,
que inconformes meus olhos?

Quanto mais contemplo-me mais aflijo-me:
cortar esta dor com que tijeras?

Ontem, amanhã, hoje
padecendo por tudo
meu coração, pecera melancólica,
penal de rouxinóis moribundos.

Sobra-me coração.

Hoje descorazonarme,
eu o mais corazonado dos homens,
e pelo mais, também o mais amargo.

Não sê por que, não sê por que nem como
perdoo-me a vida a cada dia.

Biografia Miguel Hernández
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